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Artista da Semana #4: Jen Stark

Fred Einaudi, Peter Callesen, Hans Rudolf Giger… Percebi que os artistas abordados nesta seção até agora têm duas coisas em comum. Primeiro, de uma forma ou de outra podem ser classificados como surrealistas. E segundo, são homens.

Como um aspirante a artista eu mesmo, minha tendência ao perceber um padrão é querer quebrá-lo, não será diferente com este. Falarei hoje sobre a jovem artista americana Jen Stark.

Jen Stark cortando papel

Jen Stark cortando papel

Jen nasceu em 1983, em Miami, Florida, e estudou na Maryland Institute College of Art (MICA). Seus trabalhos são todos abstratos, e variam de desenhos e animações a esculturas de papel, tendo ela ficado mais famosa por estas últimas, que são simplesmente estonteantes.

Burst - papel cortado a mão

Burst - papel cortado a mão

Temáticas como o infinito, o impossível e a perfeição permeiam seus trabalhos, através do uso de formas e cores que parecem ter vida própria, frequentemente lembrando elementos da natureza.

Cosmological Constant - papel cortado a mão

Cosmological Constant - papel cortado a mão

High On Constellation - caneta de feltro sobre papel

High On Constellation - caneta de feltro sobre papel

Ainda sobre elementos da natureza, é possível notar uma interessante mistura de espontaneidade e complexidade, que possivelmente reflete a personalidade da artista, mas em verdade é uma característica presente em todos os fenômenos naturais.

Sunken Sediment - papel cortado a mão

Sunken Sediment - papel cortado a mão

O trabalho de Stark é um lembrete de que arte contemporânea e busca pelo belo andam juntas sim, e com muito mais frequência e intensidade do que se pensa. Mas isso é assunto para um outro post…

Para mais informações sobre essa bela e talentosa artista, confiram o site oficial.

Artista da Semana #2: Peter Callesen

Há, atualmente, uma forte tendência nas artes visuais de se tentar criar obras que não podem ser adequadamente reproduzidas em outros meios além dos em que foram feitas. A razão é simples: fazer valer a pena presenciar uma exposição de arte em vez de apenas ver fotos dela, e fazer valer a pena comprar uma obra em vez de imprimir uma versão digitalizada e colar na parede.

Muitos artistas, então, têm deixado de lado desenhos e pinturas convencionais, e tentado usar outras técnicas de expressão visual, envolvendo instalações, performances, e outros formatos diferentes… Mas alguns notaram que não precisavam se desdobrar tanto e reinventar a roda… Há milênios a solução já estava pronta: escultura.

Ver uma foto de uma escultura não é a mesma coisa que vê-la pessoalmente, não dá para sentir a tridimensionalidade do objeto. Mesmo que se veja fotos do objeto em todos os ângulos possíveis, ainda assim não é a mesma coisa. E, claro, colar uma foto da escultura na parede definitivamente não é o mesmo que ter a escultura.

Um tipo de escultura que está bastante comum ultimamente é escultura com papel. Há artistas fazendo coisas inacreditáveis nessa área. Um deles é o dinamarquês Peter Callesen.

Peter Callesen trabalhando em uma de suas performances

Peter Callesen trabalhando em uma de suas performances

É até um pouco ofensivo dizer que Peter é “um deles”. Afinal, ele não faz apenas coisas bonitinhas, delicadas e vazias, como a maioria dos “artistas do papel”. Os trabalhos dele possuem mensagens… Às vezes levemente trágicas, às vezes levemente cômicas, quase sempre levemente tragicômicas.

Distant Wish - papel A4 e cola

Distant Wish - papel A4 e cola

Mas, é claro, ele não deixa a beleza e delicadeza de lado. A habilidade de Peter com a manipulação de papel é inquestionável.

The Short Distance Between Time and Shadow - papel A4 e cola

The Short Distance Between Time and Shadow - papel A4 e cola

Mais trabalhos dele com papel A4 podem ser vistos aqui. Mas ele faz coisas ainda mais fantásticas com papéis maiores, como na escultura abaixo:

Fall - papel e cola

Fall - papel e cola

Mas há muito mais, mais do que caberia neste post. Vejam as várias galerias do site dele e entendam o que digo.

Callesen também trabalha com outros meios de expressão. Aparentemente ele é um dos artistas que mencionei no começo deste post, que tentam reinventar a roda e expandir os limites das artes visuais.  É um caminho perigoso e cheio de fracassos. Mas, felizmente, essa tentativa o fez chegar às esculturas de papel, que, embora sejam apenas uma parte de sua vasta produção artística – que envolve performances e instalações pouco convencionais -, são as grandes responsáveis pelo seu sucesso.