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Como Fazer Ambigramas #2

Demorou mas chegou. Eis a esperada segunda parte do meu atrasado guia sobre como fazer ambigramas. A essa altura quem  leu a primeira parte já cansou de esperar e já aprendeu tudo sozinho na prática, mas ainda assim continuarei o tutorial para atender aos que começarem agora…

LIÇÃO II – Quando o ambigrama parece impossível…

Vocês devem ter notado, seja observando atentamente ambigramas dos outros ou tentando fazer seus próprios, que nem sempre dá para transformar 1 letra em exatamente 1 outra letra. Quase sempre porque a quantidade de letras das duas palavras é diferente, mas muitas vezes o problema é impossibilidade pura e simples, como no caso de fazer um “i” parecer um “m” quando girar ou refletir (a solução seria envolver pedaços de outras letras no processo). E, assim como em toda situação problemática que não pode ser resolvida por equações matemáticas, a saída é usar a criatividade.

Claro que ninguém pode ensinar criatividade a ninguém, ela não é uma forma conhecimento, mas sim a manipulação eficiente de conhecimentos. Alguns manipulam melhor, outros pior. Mas o fato é que para ser criativo em qualquer área, é preciso possuir informações dessa área, elas são o “combustível” da criatividade. É impossível ser um programador criativo sem saber nada de programação, por exemplo. Então quais são as informações, os conhecimentos, que servem para “alimentar” a criatividade na criação de ambigramas mais complexos? A resposta é tão óbvia que sinto estar só enrolando vocês nestes parágrafos inciais: conhecimentos sobre letras.

Não entrem em pânico, não procurem livros sobre caligrafia ou tipografia (por enquanto..)… Pelo menos no meu caso, a maioria dos conhecimentos tipográficos que tenho foram obtidos… lembrando… Já estavam na minha cabeça, afinal vemos letras de todos os tipos em todos os lugares, mas só lembrei ao precisar dessas informações para resolver algum problema durante a criação de um ambigrama. O exemplo mais comum é lembrar que determinada letra pode ser representada de outra forma, que se encaixaria melhor no ambigrama em questão. Em suma, para ter criatividade com ambigramas, e consequentemente resolver problemas como o de transformar x letras em y letras, é preciso ter intimidade com as letras, suas formas, suas possibilidades, do que precisam para serem indentificáveis, etc…

Resumindo, para resolver problemas de ambigramas é preciso ter criatividade com ambigramas, e para ter essa criatividade é preciso conhecer bem as letras, e para conhecer bem essas letras basta praticar ambigramas, e tudo isso significa, basicamente, a boa e velha máxima “a prática leva à perfeição”.

Além de conhecer as letras, ajuda bastante observar outros ambigramas, ver como cada letra foi transformada em outra, algumas vezes usando de artifícios que você não conhece, mas nada que gaste muito do seu tempo. Ambigramas são hobby, ou, no máximo, com certo senso de empreendedorismo, uma fonte de renda alternativa, mas nada que lhe faça gastar mais tempo e esforço do que você gostaria de gastar. Não estude ambigramas como se fosse uma matéria escolar… Aprenda com a experiência, a observação e a  diversão, só.

Não há muito mais a se dizer sobre a “idealização” de ambigramas (exceto se eu decidir me aprofundar em conceitos tipográficos que só ouço falar, como legibilidade, homogeneidade, e outras coisas que acredito estar aplicando intuitivamente e espero que vocês tenham a sagacidade de fazer o mesmo). Por isso, na próxima lição, vou começar a falar sobre os aspectos da “finalização” de um ambigrama… Ou seja, vetorização, aproveitamento de pedaços de letras de fontes existentes, etc.

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Veja aqui a parte 1.

Como Fazer Ambigramas #1

As estatísticas deste blog têm indicado que o que mais atrai visitantes para cá são os ambigramas, especialmente pesquisas sobre “como fazer ambigramas”… Darei o que querem então.

Há a maneira fácil, que é usando geradores automáticos, como o FlipScript, o Ambimatic, e outros. Se isto bastar para você, ok, não precisa ler o resto deste post, pois a seguir iniciarei uma série de tutoriais sobre como fazer ambigramas.

Pretendo fazer um vídeo em breve, mas por ora vou dar algumas “bases teóricas”, e no final do post farei a análise completa de um dos meus ambigramas.

LIÇÃO I – Fazer um ambigrama (de qualquer tipo) sempre consiste em escrever duas ou mais palavras ao mesmo tempo.

Vamos refletir sobre o que acabei de falar… O que é escrever uma palavra? É torná-la legível para você e para os outros. Enquanto ela estiver na sua cabeça, ou escrita em um garrancho que até você tem dificuldade para entender, não pode ser devidamente lida, e não foi, portanto, devidamente escrita. Exceto no caso de médicos e crianças com menos de 6 anos, escrever palavras legíveis não é uma tarefa difícil.

Mas escrever duas (ou mais) ao mesmo tempo… Pode ser até impossível… Cada ambigrama é um achado, uma pedra preciosa, pois nem sempre é possível pegar duas palavras e fazer um ambigrama. A propósito, alguns devem estar achando estranho eu falar que todo ambigrama consiste em escrever duas ou mais palavras ao mesmo tempo, afinal, há ambigramas como:

Caópolis/Caópolis

caópolis

e Reflexo/Reflexo

reflexo

Acontece que para fazer ambigramas como o caópolis/caópolis, eu tenho que escrever a “palavra” caóp e ao mesmo tempo me preocupar se estou escrevendo direito também a “palavra” pólis ao girar o papel, e depois escrevo pólis de forma a parecer caóp, o que na verdade já está feito, é só “girar” a primeira parte e juntar. Esse tipo de ambigrama, chamado “simétrico”, é o mais fácil de se fazer e o com mais chances de dar certo. Tente fazer com seu nome, é um bom começo ;). No caso do ambigrama reflexo/reflexo, tive que escrever refl e lexo simultaneamente, com a diferença de que, em vez de girar para ver a outra leitura, eu consultava um espelho. Também é um ambigrama simétrico, mas é um tipo mais difícil de se fazer (imagino que tudo isso ficará claro quando eu fizer o vídeo).

Quando digo “escrever duas ou mais palavras ao mesmo tempo”, portanto, quero dizer “preocupar-se em gerar duas ou mais leituras para um mesmo elemento gráfico”. E como fazer isso? Certamente não há regras, mas posso dar algumas dicas. A primeira que darei é a mais óbvia: fazer com que cada letra se pareça com outra quando girada, refletida, etc. Embora raramente funcione 100%, já que precisa que as duas palavras tenham a mesma quantidade de letras, quase sempre é aplicada à maior parte da maior parte dos ambigramas, então definitivamente é o conceito mais importante por trás da criação desses. Se eu fosse enunciar esse conceito, eu diria: “Deve-se desenhar uma letra de modo que ela não se pareça completamente com ela mesma nem com a outra desejada, mas se pareça o suficiente com as duas”.

Para demonstrar tudo isso, analisarei um ambigrama meu onde esse conceito se aplicou integralmente:

verdade/mentira

Vejamos a primeira letra de verdade (e última de mentira):

v-a

O V já se parece com o A de cabeça para baixo. A única diferença é o traço do A, então tratei de amenizar essa diferença (o que talvez nem fosse necessário) colocando esse traço bem para cima no A e o deixando um pouco inclinado. Vamos para a próxima:

e-r

O E é o melhor amigo de quem faz ambigramas. Na maioria das vezes é só adicionar três “espinhos” à esquerda de uma letra, e quando girar ela vai parecer um E, e foi basicamente o que fiz com esse R. Também tentei deixar o R meio aberto e estreito, para não atrapalhar o E.

r-i

Regra geral quando quiser que uma letra se pareça com um I ao ser girada em 180º: faça a letra o mais estreita possível, e ponha um ponto embaixo dela. Quando girar, *plim*, vira um I =). Foi o que fiz aqui.

d-t

Aqui eu alonguei algumas partes do T para dar forma a um D quando girado. A aparência de “machado” que esse T tem é só uma mania estética minha xP, embora tenha servido para acentuar a forma de D, e também a do R do caractere anterior, que estava com a perna curta para se parecer mais com um I ao girar (vejam no ambigrama para entender).

a-n

O N é uma letra problemática, porque quando girado continua parecendo um N. Solução (neste caso)? “Atrofiei” a perna dele que não era aproveitada do A.

d-e

Novamente nosso amiguinho E. Só fiz “envergá-lo” um pouco e esticar umas pernas para parecer um D quando girado.

e-m

O M geralmente é problemático, mas como o E é moleza, acabou não sendo tão difícil juntar um ao outro. O resultado não ficou maravilhoso, mas como o resto das duas palavras já está bem legível, dá até pra “subentender” essa letra, por mais deformada que ela fique.

Concluindo esta lição… Um ambigrama tem tudo a ver com o resultado final e pouco com cada letra. Se a pessoa olhar por alto para o ambigrama e ler “verdade” e depois, girando, ler “mentira”, não importa se um N não está parecendo muito um N ou se um X não parece muito um X, é a leitura das palavras que importa, e as palavras não precisam estar escritas perfeitamente para serem lidas, prova disso são as várias caligrafias legíveis que uma pessoa pode usar para escrever, e as várias e diferentes fontes de texto ( Times New Roman, Old English Text…) usadas em computadores…

Espero ter ajudado =D. Outras lições virão.

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Veja aqui a parte 2.